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OC de João Gabriel - Estrada
Eu estava voltando de uma festa na pacata e pequena cidade vizinha, estava bêbado obviamente, mal conseguia distinguir a pista gélida e vazia na minha frente da vegetação densa e sombria à minha volta, com a janela aberta e o vento gélido acariciando meu rosto, assim como a fumaça do meu cigarro penetrando em minhas narinas e garganta, a música no rádio estava bem alta, desligando meus ouvidos com quaisquer barulho da pista, esses fatores somado com a escuridão da madrugada e minha visão turva, me desligavam totalmente da realidade, é como se a sanidade e lógica naquela noite realmente tinham ficado mais fracas ou.. desaparecido.. Dopado e contando coisas desconexas para mim mesmo, ou pelo menos eu acho que era para mim mesmo, a desconcentração minha diante do que havia à minha frente diversas vezes me deixavam entre a vida e a morte, entre a segurança e o desespero – meu carro poderia se acidentar à qualquer momento, eu morreria e ninguém jamais me veria novamente. Ninguém iria solicitar uma busca por mim, os meus poucos conhecidos do trabalho são amigos superficiais dos quais mal sabem absolutamente nada sobre mim, eu não tinha ninguém, ninguém que iria lembrar de mim se eu morresse ali mesmo; meu corpo apodreceria sem cerimônia, esquecido, seria devorado pelo animal mais próximo, ou corroído por seres decompositores de uma vez, apodrecendo, um fim satisfatório e deveras luxuoso para um ser humano do meu nível.

Mas o que me aguardava era algo imensamente pior, já fazia cerca de cinco horas que eu navegava por essa mesma estrada – que permanecia em linha reta sempre. Eu sabia que não era minha embriaguez, até por quê, os fatos indicavam que algo estava errado, que não era coisas da minha mente; o rádio agora tocava absolutamente nada, apenas um ruído branco incompreensível, as árvores em volta incrivelmente pareciam impedir-me de ver sinais de civilização ou algo do gênero, o relógio do meu celular parou exatamente às 3:51 da madrugada à muito tempo, e meu GPS não apontava para nenhum mapa, meu sinal de internet também sumira, por um momento, pareceu que eu era um único ser humano do mundo, e isso me fez gritar, berrar e espernear no carro; não de alegria, e sim desespero, eu queria sair dali, cortar caminho ou algo, mas é como se algo sobrenatural me prendesse à aquele caminho sem fim. Ainda me remexendo e em lágrimas, sabendo que algo muito errado estava acontecendo, que aquele ciclo infinito fazia jus ao seu nome, eu olhei para trás, foi o maior erro, na esperança de ver algo, não consegui. Pelo contrário, minha única visão foi a parte de trás do carro, os bancos revestidos de couro e extremamente gelados acariciavam o corpo de um convidado indesejado, calmamente aguardando, não conseguia ver nada além de uma silhueta leve e sombria no tronco e pernas, uma capa extremamente longa escurecendo em um degradê quase absoluto entre a mesma e um rosto branco, os olhos daquele ser parecia refletir o infinito, eram mais obscuros do que preto, refletiam uma agonia imensa, sua boca inexpressiva e os músculos de sua face idem; Isso não me gerou nada além de um descontrole do caminho do veículo, o que me fez sair do embate de olhares com aquele ser, repentinamente o mesmo some – como constava minha visão ao retrovisor. E claro; o carro ficou sem gasolina.

Não me restava mais nada além de meus pés para locomoção, já extremamente sonolento e cambaleando pela estrada, diversas vezes pensei em simplesmente me suicidar, bater minha cabeça sobre o chão, enfiar meus dedos nos olhos ou me impedir de respirar, mas é como se a curiosidade me matasse; A fome, sede, agonia, melancolia e desespero aumentavam à cada fração de segundo, minhas pernas doíam muito, é como se eu tivesse andando por um dia inteiro – se eu não andei pelo tempo correspondente à 24:00 horas. Após isso, apenas avistara a mesma silhueta à 100 metros de mim, é como se a desgraçada estivesse me aguardando morrer de exaustão para levar minha alma ou devorar minhas entranhas – até hoje não sei o que diabos ela faria comigo. Só sei que as mãos rígidas e magras da mesma lentamente encostaram meu rosto quando minhas pernas já em carne viva de tanto andarem, cederam ao cansaço. A partir daí, não sei o que aconteceu com meu corpo, com minha história, identidade, vida ou sentimentos. Acho que morri assim que saí da maldita festa e agora estou no inferno, pois no momento estou pegando o carro, acendendo o cigarro, ligando o rádio e e seguindo para o mesmo rumo que narrei anteriormente.

OC de João Gabriel. ( ͡~ ͜ʖ ͡°)

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