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A história que vou contar para vocês hoje é real, talvez uma das mais reais deste site. Ela se passou no ano de 2010, quando eu estava de férias escolares e fui visitar meus parentes do interior.

Período de férias escolares é uma maravilha, não é? Descansar um pouco depois de quase o ano todo estudando, são férias merecidas. E eu as esperei com uma ansiedade tremenda, mas eu não sabia o que iria fazer nas férias. Minha família tem o costume de viajar para lugares diferentes nas férias, mas eu sempre era o último a saber o destino.

Naquelas férias fomos para o interior de Pernambuco, estado natal de meus pais. Para não gerar pânico ou preconceito com pessoas que vivem neste estado, não revelarei o nome da cidade.

Fomos de avião, demorou cerca de três horas de voo, e lá estávamos nós. Demorou mais um pouco até chegar à cidade final, que era distante da capital Recife. Após chegarmos, cumprimentamos os parentes e conversamos sobre diversas coisas, normal.

É uma cidadezinha bem pequena mesmo, tem uma igreja velha, um cemitério antigo, uma praça, casas de madeira... e por aí vai. De dia, era tudo muito bonito, Pernambuco é um estado muito bonito por sinal, mas a noite a coisa ficava diferente. Por ser uma cidade pequena, não tinham muitas casas ao redor da dos meus parentes, então, a noite ficava tudo MUITO ESCURO!

Não dava para ver absolutamente nada sem uma lanterna, e o pior, a casa dos meus parentes ficava em meio a plantações rurais, então complicava ainda mais a situação. Quem já assistiu “Smallville” vai se identificar com este cenário.

Colheita maldita.jpg

Haviam se passado cerca de seis ou sete dias de minha “estadia” na casa dos meus parentes, tudo estava tranquilo, normal. Até que neste dia resolvemos sair para fazer coisas diferentes, conhecer o local em nossa volta. Apesar de meus pais conhecerem, eu não lembrava nada, pois a última vez que tinha ido eu era muito pequeno.

Então fomos, caminhando em meio às plantações, eu tinha muito medo, pois eu pensava que haviam cobras nesses lugares. Saímos de dia, é claro, mas andamos tanto que quando resolvemos voltar já estava escurecendo. Então fizemos o mesmo trajeto longo e demorado, até que valeu a pena, conheci lugares muito bonitos e interessantes.

Você sabe, cidade do interior é cheia de lendas “rurais” haha, e meus tios muito sacanas sempre me contavam essas estórias*. Era Mula-sem-cabeça, Saci Pererê, Curupira e por aí vai. Eu tinha um medo desgraçado, mas eu fazia o máximo para aparentar descaso.

  • Estórias = contos, histórias que não existem, lendas.

Meus parentes começaram a se distanciar de mim, eu estava muito cansado e andando lentamente, eis que ouço um barulho estranho vindo do mato. Eu logo penso que é algum animal que emite esse som, só que o som continua e eu fico apavorado. Já estava um pouco longe dos meus parentes e não queria gritar por socorro sem nada estar acontecendo.

Continuei a caminhar, desta vez mais rápido e ofegante. Seja lá o que for, estava me seguindo, eu tinha certeza. Os sons começavam a mudar, parecia que existiam mais de um “ser”, eu me sentia rodeado, cercado. Depois de todo esse pavor, finalmente chegamos a casa. Era um alívio, eu estava suado e muito cansado.

Fui tomar um banho imediatamente, mesmo de noite e com a água fria. Enquanto estava tomando banho ouvi novamente os mesmos barulhos da mata, fiquei apavorado. O banheiro não transmitia segurança nenhuma, era fora da casa e tinha apenas uma cabine de madeira, um vaso e um chuveiro. Seja lá o que for quisesse me pegar, eu seria uma presa fácil.

Eu havia terminado o banho, mas tinha medo de sair da cabine. Fiquei esperando o barulho sumir, mas não sumiu. Então num ato de coragem eu resolvi sair da cabine.

E pra minha surpresa, nada havia no local. Fui para o quarto e deitei, já devia ser umas 21hrs, eu demorava muito a dormir já que os insetos faziam muito barulho durante a noite. E nessas tentativas de dormir em meio aos barulhos da noite, o que eu ouço novamente? Se você pensou na criatura da mata, você acertou!

Era a terceira vez em um dia que eu ouço aquele barulho, já se tornava um medo cronológico e psicológico, parecia que tinha hora marcada, sabe? Aos poucos eu fui deixando de pensar naquele barulho e relaxei, virei-me de lado e fechei os olhos, comecei a contar carneirinhos para ver se funcionava, nunca havia feio isto. Mas quem sabe né? Por que não?

Então dormi, finalmente consegui, mas meus pesadelos só estavam começando. Eu acordei no meio da madrugada, estava um silêncio tremendo, nem os insetos faziam barulho mais. Era algo de outro mundo, eu que estava acostumado com cidade grande jamais imaginei um universo tão silencioso à noite.

Era perfeito e ao mesmo tempo amedrontador, eu tentava dormir novamente... mas não conseguia. Até que em um determinado momento eu escuto um barulho de como se alguém estivesse tentando abrir a porta do meu quarto. Fiquei tenso, o ser que queria abrir a porta do meu quarto não estava conseguindo, percebi pelo barulho.

Passaram-se alguns segundos e eu decidi virar-me para a porta, e minha dúvida estava confirmada, eu VI a fechadura se mexendo, o medo tomou conta do meu corpo. Eu não sabia o que fazer, estava olhando com um olho aberto. Após as tentativas falhas da criatura em tentar entrar em meu quarto, ela para. E eu escuto passos bem baixinhos, só foi possível ouvir, pois estava um silêncio muito grande, como eu já disse.

E em todos os dias de minha morada na casa dos parentes, a criatura aparecia, eu nunca cheguei a ver nenhuma parte se quer dela, mas ela repetia o mesmo ritual de sempre. Nas madrugadas ia lá e tentava abrir a porta, mas não conseguia. Eu não contei essa história para ninguém. Guardei-a em segredo até hoje, mas agora resolvi compartilhá-la com vocês.

No meu último dia em Pernambuco, resolvi fazer algo muito perigoso. Resolvi tentar de alguma forma observar a criatura, então eu passei o dia todo pensando nesta maneira. Sabia que não teria outra chance, ou era naquela noite ou nunca mais. Então bolei um plano.

O plano consistia em eu ficar escondido num outro quarto a frente ao meu que estava vazio, e que tinha uma fechadura com uma brecha relativamente grande. Se espiar, dava para ver a porta da frente, era perfeito, eu só tinha que tomar cuidado para a criatura não me ver.

Então a noite chegou, como eu já sabia praticamente a hora em que a criatura aparecia, fui dormir no meu quarto reservado padrão para que ninguém desconfiasse, mas depois que todos já haviam dormido, eu saí e fui para o quarto da frente.

E fiquei lá, só esperando a hora de a criatura aparecer. Esperei, esperei, esperei, eis que escuto um barulho, devia ser ela. E era! Eu não conseguia enxergar muito bem, mas notei que era um ser muito alto, tinha as pernas finas e magras, dava-se para ver os ossos, era uma tonalidade escura, parecia carne podre. Posicionei-me melhor e pude ver um pouco mais acima da criatura, que tinha cabelos longos e despenteados, usava um traje surrado, rasgado.

Ela se virou de costas para mim, na tentativa de abrir a porta em que eu deveria estar, eu fiquei apavorado, pude confirmar todas minhas dúvidas, naquele momento não pensei em muita coisa. Só queria que o dia chegasse e eu fosse embora daquele lugar. Como de praxe, a criatura não conseguiu entrar na porta da frente, e foi-se embora.

O dia finalmente chegou, nos despedimos, pegamos um táxi e fomos até o Aeroporto, que por sinal é o Aeroporto mais bonito que eu já vi, pelo menos no Brasil. Durante o voo, fiquei pensando, quem era aquela criatura? Será que era uma mulher de fato? Ou um homem com o cabelo descuidado? Será que era um humano? Eram tantos os questionamentos que tinha hora que eu queria voltar para a cidade para tentar desvendar este mistério. Mas como eu não faço parte da turma do Scooby-Doo eu logo descartei essa possibilidade.

Esta foi a minha história de horror que passei em Pernambuco. Este ano talvez eu possa desvendar o mistério, pois meus pais planejam viajar novamente para a cidade. Se tudo der certo, lá estaremos nós novamente e quem sabe eu possa descobrir quem era de fato aquela criatura. 

~~ Lord Shedinja

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