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A noite estava clara, podendo iluminar tudo o que havia de novo e também tudo o que havia de velho. A Lua alta no céu indicava um novo fio de esperança em meio às trevas sombrias. Naquela cidade, as mais pequenas coisas não eram notadas, mas tudo era uma questão de exagero, o que fazia a vizinhança ser insuportável às vezes para quem morava ali.

James e Harris eram dois irmãos peculiares, muitas vezes sendo comparados com o Yin e o Yang. James era um pouco menor que o irmão James, Harris; sua personalidade tímida e assustada era a característica que o definia e também a que o fazia ser considerado uma criança "fraca". Ele tinha as bordas das mangas sempre roídas, já que ele as mordia quando se sentia nervoso ou ansioso. Sua mãe queria enlouquecer com isso, já que suas blusas sempre ficavam com essas pequenas marcas. Outra característica do rapaz de dezenove anos era o cabelo louro, tão claro que parecia quase platinado, e os olhos azuis de um escuro profundo faziam conjunto com a aparência estranha dele.

Harris era mais explosivo e parecia não ter tanta preocupação quanto o seu irmão quanto às coisas que aconteciam à sua volta. Suas características físicas eram iguais à de seu irmão James, tanto o cabelo, quanto os olhos de lago azul penetrante e a única diferença de que ele era mais velho apenas por alguns minutos de diferença. Por onde ele passava, era facilmente notado e sua postura confiante era admirada por alguns e odiada por outros, ao contrário de James, que era mais facilmente esquecido.

Apenas uma coisa unia os dois: uma interação que tinham com o outro, algo um pouco inexplicável e estranho. James e Harris tinham uma afeição muito grande entre si, diferente dos irmãos de hoje em dia, que sempre estão brigando, os dois eram completamente o contrário.

Esta noite em especial, enquanto James estava trancado em seu quarto, sentado na cama e tapando um ouvido com uma mão e com a outra, segurava a manga da blusa que estava mordiscando. Era possível ouvir sua mãe, Cherril, brigando com seu pai, Eddie.

Cada ofensa, cada palavra caluniosa, cada pedaço de humilhação barata ressoava por seus ouvidos como uma onda mortal e sem controle, entupindo seus tímpanos. Seus olhos estavam arregalados e se mexiam discretamente nas órbitas em tiques, enquanto cada sílaba dolorosa golpeava sua mente.

Ele ouviu a porta do quarto de seus pais bater forte num estrondo, enquanto o barulho do salto alto de sua mãe ia se distanciando até a escada.

James pegou seu travesseiro e o jogou pra longe, sem mirar direito em qualquer coisa, o que só serviu para atingir um abajur de vidro que caiu e se quebrou em vários pedaços; mas isso não importava, ele só queria se ver longe dali, mas o que ele faria?? Ele não poderia fazer anda nem queria fazer nada, não queria ver nada, não queria saber de nada e sua revolta só aumentava a cada segundo, assim como sua tristeza.

Com as lágrimas caindo cada vez mais fortes, o garoto tímido se levantou e as enxugou com a manga da blusa mordiscada. Ao ver melhor o estrago que fez sem querer, se ajoelhou e pegou um caco de vidro do abajur, observando-o com muita atenção.

Nesse momento, ele escutou um grito alto que o congelou, fazendo-o largar rapidamente aquele pedaço cortante do abajur, e assim James correu para a fonte do grito, segurando as mangas das blusas com as mãos firmes.

Assim que o garoto desceu as escadas, viu seu pai e sua mãe cheios de cortes, alcerações, hematomas e algumas fraturas, deitados numa poça enorme e irregular de sangue fresco. Seu irmão, Harris, estava deitado próximo a eles, de costas para cima.

- Não... Não... Não!!! - James observava seus pais mas sua visão parou no irmão, a pessoa que mais prezava e amava no mundo. Agora Harris estava ali, deitado e sem vida, em meio a uma piscina de sangue, vítima de uma carnificina, enquanto James nada pôde fazer para ajudá-lo. E agora? O que seria ele sem Harris?? O que seria dele sem o irmão querido, que o abraçava e dava conselhos, bagunçava seu cabelo e o fazia rir com uma piada sobre alguns dos valentões que atormentavam seu irmão na escola? A vida não era nada justa, e deixou de ser boa naquele dia.

James virou o corpo do irmão gêmeo e pôde ver uma linha vermelha e aberta na garganta que ainda sangrava um pouco e discretamente. Ele abraçou aquele corpo ensanguentando, deixando o blusão verde-escuro com manchas negras, e o abraçou tão forte como se fossem apenas um.

- Eu vou dar um jeito, irmão. Nós vamos ficar juntos para sempre e eu nunca vou deixá-lo longe de mim!! - disse James, enxugando as lágrimas com a manga da blusa que também estava com manchas de sangue, fazendo com que assim seu rosto ficasse com algumas manchas vermelhas.




A polícia chegou por volta de três horas da manhã, quando um vizinho telefonou dizendo que estava regando as flores próximas ao muro que dividia os dois quintais e ao dar uma espiada na janela, viu vários borrões vermelhos em uma das paredes por dentro da casa.

- Sim, foi isso... Quem os matou os atacou com uma barra de ferro e depois com uma faca. - disse o detetive, tomando algumas anotações num bloquinho e expressando seu descontentamento com um ar de tristeza.

Na parede, escrito com letras deformadas e confusas, estava escrito, com algum tipo de tinta preta: NUNCA IRÃO NOS SEPARAR.

Os dois irmãos gêmeos estavam desaparecidos, e logo mais começaria uma busca frenética, como todos os clichês policiais que todos nós estamos acostumados a ver.

O detetive foi até o lado de fora da casa, pegou um cigarro, o acendeu e se dirigiu ao quintal dos fundos onde ficava o cão da família, um pequeno Lulu da Pomerânia. Mas ele ficou muito surpreso ao ver que o cachorro estava praticamente destruído, quase retalhado, banhado em sangue, próximo à casinha onde dormia. O detetive se assustou mas não se intimidou, apenas mudou de expressão quando olhou para o portão dos fundos e viu um rapaz morto, de estatura alta, com os cabelos quase brancos e os olhos azuis penetrantes costurado pelo braço direito ao braço esquerdo de uma réplica quase perfeita dele, de estatura baixa e que segurava uma faca brilhante em uma das mãos, e com a outra, segurava a manga da blusa que estava mordiscando.

Sem saber o que fazer, o detetive sacou a arma e atirou duas vezes, mas sem efeito; os buracos de bala podiam ser vistos mas o sangue não escorria. O garoto correu desajeitadamente e enfiou-lhe a faca no pescoço, de ponta a ponta, e disse apenas num sussuro: ESTAMOS FORTES AGORA. NUNCA VÃO NOS SEPARAR.


Créditos:TicciMinuette

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