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Quando eu tinha 12 anos, eu costumava ser uma criança curiosa sobre o mundo a minha volta. Um dos meus maiores prazeres era explorar o desconhecido. Florestas, casas, novas partes de uma cidade, a sensação de explorar era sem igual. Então obviamente quando fomos viajar para o sitio de um primo meu, eu estava ansioso para passear pela floresta que tinha la do lado, talvez encontrar um ''tesouro super secreto'', ou alguma merda assim que eu imaginava quando pequeno. Todo ano que eu ia la eu achava que minha mãe ia me deixar passear na floresta, e todo ano era a mesma coisa, eu pensava: ''eu já sou velho agora, eu posso ir sozinho já''. Não preciso nem dizer que a resposta era sempre a mesma, sempre ''não''.

A chegada da fazenda foi um caos, eu queria sair correndo pelo campo, então eu ficava enchendo o saco dos meus pais para eles pararem de conversar logo e me deixar ir. Hoje em dia eu lembro como eu era uma criança super irritante, tenho pena dos meus pais por terem que me aguentar. Apesar de ter sido proibido e não poder ir em circunstância alguma na florestinha perto dali, me aventurar com o meu primo na área permitida ainda era super divertido.

Toda vez que eu passava uns dias la, o meu primo tentava me assustar com as historias de terror dele, maaas a maioria eram bem horríveis. Sempre as mesmas historias clichês de ''eu juro que vi um fantasma andando ali'' ou ''existe uma lenda de uma mulher de branco'', confia em mim, não precisava ser um adulto pra saber que a maioria era mentira, se eu quando pequeno não acreditava nelas, com certeza elas eram uma merda. Até que no meio dessas conversas e historias, ele mencionou um celeiro que estava la desde que os pais deles compraram o terreno. O pai dele pretendia demolir para liberar mais espaço, mas eles não tiveram dinheiro suficiente para pagar a remoção, então eles deixavam o lugar fechado la mesmo. O meu primo então começou a descrever como o pai dele jurava que ouviu uma voz la dentro, o que pode soar super sem graça para eu adulto, mas quando eu era pequeno isso soou realmente assustador, e ainda com uma possível confirmação do pai dele só me deixou mais curioso e assustado. Se aquilo foi o meu primo inventando, então ele tinha finalmente aprendido a contar uma historia de terror decente. Da pra imaginar que eu não exitei em perguntar ao meu primo: ''e o que tem la dentro?'', que foi respondido com um: ''não sei''. Depois de conversar muito sobre o bendito lugar, a curiosidade cresceu em nós dois, fazendo a vontade de querer ir la dar uma olhada ficar gigantesca, então obviamente nós dois pensamos que seria a melhor ideia ir olhar o que tinha la.

Nós ficamos esperando todo mundo ficar distraído o suficiente para a gente poder dar uma escapadinha e ir no celeiro. Com um par de lanternas e duas barrinhas de chocolate, a gente foi caminhando até la. Quando começamos a nos desaproximar do chalé e começamos a chegar mais perto do celeiro, o meu coração começou a bater mais forte, eu me sentia ousado desobedecendo uma ordem, mas ao mesmo tempo super preocupado. E se a gente se machucar, ou pior, e se a gente se machucar e não tiver ninguém que possa nos salvar? A preocupação era grande, mas na verdade o celeiro nem era tão longe do lugar que a gente fica, o que eu acho engraçado quando eu penso nisso.

Chegamos no celeiro e ele era tudo o que você ia esperar de um celeiro velho, destruído, e o pior de tudo, sem graça. E quando eu digo sem graça eu não estou exagerando, o lugar era chato em toda a definição da palavra, sem jeito de entrar la dentro, ele virava um pedaço de lixo desinteressante, outro motivo que faria as pessoas não irem investigar. Eu fiquei indignado comigo mesmo: ''eu arrisquei a minha vida por essa bosta?'' eu pensei e ao mesmo tempo rodando em volta da velha construção. Até que fui pego de surpresa por um buraco no chão, caí por completo dentro do buraco e machuquei a minha perna. Eu olhei para a entrada do buraco e gritei: ''VAI BUSCAR MINHA MÃÃE'', seguido de um: ''TO INDOOO'' e ouvi os passos dele correndo na grama. Após a rápida troca de palavras e o barulho de um garoto desesperado correndo na grama para buscar ajuda, eu fui recebido com um silêncio, aquele silêncio totalmente desconfortável, onde o ar fica pesado e não tem nenhum animal fazendo barulho.

Foi aqui que eu percebi que eu não tinha caído em um buraco e sim um longo corredor. Eu sei que isso parece estranho, um corredor no meio do chão? Mas depois de conversar com os meus tios depois de alguns anos que eu voltei la, eles disseram que existia um construção em baixo do celeiro, meio que um porão. Eu não consigo imaginar porque aquele porão ele era tão longo, eu não conseguia nem ao menos enxergar algo perto de um final, talvez fosse a escuridão enganando meus olhos, eu não sei. Com a minha lanterna quebrada por causa da queda, tive que confiar no que os meus olhos conseguiam entender da escuridão e tentar compreender onde que eu estava. As paredes tinham uma textura rochosa. Elas eram geladas, o que só piorou mais ainda a situação em que eu estava.

Eu não sei se foi a tensão que eu senti no momento, mas eu senti como se tivesse passado horas naquele corredor, com nada além da minha respiração super ofegante para ouvir. Por toda a minha vida eu me considerei uma pessoa bem cética, desde pequeno eu não acreditava em superstições, fantasmas ou qualquer porra assim, mas...aquele lugar, alguma coisa la parecia diferente, eu sentia um peso de desconforto em cima de mim, e sim, eu sei o quão clichê isso soa, mas foi o que eu senti no lugar. Já não bastava o tempo que eu estava la dentro, eu comecei a ouvir barulhos vindo do longo corredor, barulhos vindo da completa escuridão que parecia me engolir cada vez mais e mais. Eu comecei a ouvir o que eu interpretei como passos. Eles começaram como passos lentos, parecia que estava imergindo aos poucos para fora da escuridão, até que parou, eles pararam todos de uma vez, algo que foi aliviante e ao mesmo tempo assustador, porque agora eu não tinha como saber se era só pura coincidência os barulhos ou se a coisa parou e esta me olhando.

Foi ai que quando o mundo inteiro parecia que tinha ficado calado, eu vi um formato no escuro. Sabe quando você apaga a luz de algum lugar e a unica luz que sobra é a impressão no seus olhos da luz que ainda existia na lâmpada? E como logo em seguida você podia jurar que viu o formato de algum ser na escuridão? Com certeza a maioria das pessoas tiveram essa experiência na vida, o que acontece em seguida é você tomar um susto e rapidamente se lembrar que não é nada, mas naquela situação eu tentava me dizer disso, e não funcionava. Não importava qual ângulo eu olhasse, ainda parecia que tinha alguma coisa ali, alguma coisa que não se mexia, parado observando cada movimento que eu fazia.

Foi ai que depois de uma longa pausa, o barulho de passos começou de novo, só que dessa vez um pouco mais rápidos. Eu juro que tentei fazer qualquer movimento, mas eu estava com medo demais e sem ideia do que fazer para mover qualquer músculo, pois se eu corresse para o outro lado do corredor, eu estaria correndo em direção a mais escuro, eu não sabia onde iria parar. Foi ai que eu fiz a primeira coisa que me veio a cabeça, eu gritei, gritei o mais alto que eu pude, eu não me importei com o que podia acontecer, eu só gritei até minha garganta doer e eu perder ar. Ouvir o barulho de algo correndo me deu tanto medo que me fez gritar mais alto, e gritei tanto que eu comecei a tossir e ficar sem voz, o que acho que fez o meu cérebro perceber que isso não ia funcionar, então eu levantei e mesmo com a perna machucada eu tentei pular pra fora pelo buraco que eu tinha caído, até a dor insuportável da minha perna começar e eu perceber que isso também era inútil. Graças a eu ter ficado pulando a dor na minha perna estava muito mais forte, então quando eu tentei correr pro outro lado do corredor, só resultou em mim caindo no chão. Sem poder correr. Sem poder me esconder, sem ajuda. Sem ter alguém para me ajudar, indefeso, prestes a ter que enfrentar algo que não conhecia, encarar cara á cara o desconhecido. E derrepente, o barulho parou de novo, eu ainda estava assustado, essa coisa podia ainda estar ali, até que uma voz vindo de fora do buraco me chamando, perguntando se eu estava ali. Eu nunca me senti tão aliviado na minha vida por ouvir uma voz, foi como se todos os problemas da minha vida tivessem ido embora.

Depois que ele me tirou do buraco com umas cordas, obviamente eu fiquei de castigo, mas no momento minha mãe não conseguia me dar bronca, ela me abraçou e começou a chorar. Eu fui saber depois que o meu primo contou a situação de uma maneira super exagerada, o que obviamente fez todo mundo ficar super assustado.

Essa historia ficou me aterrorizando por um bom tempo, eu até usei ela ao meu favor e comecei a contar ela aos filhos de alguns parentes. Estamos em 2015 e a ideia é de ir esse ano la outra vez, só que dessa vez eu vou fazer as coisas do jeito certo. Eu vou pedir pro meu tio abrir o celeiro e a gente dar uma olhada no que tem dentro ou dar uma olhada no corredor. Eu prometo que se eu for pra frente com a ideia e se meu tio queira me ajudar, eu vou atualizar vocês na situação.

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