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Atenção: o relato desta página é reais. As informações repassadas foram conseguidas apenas após insistência da imprensa, já que o governo a todo momento queria impedir que o caso vazasse à população por meio do Sr. [Nome preservado], que se suicidou logo após divulgar seu relato. Isso explica porque não há nenhuma foto ou registro do castelo mencionado. Todos os nomes foram trocados para preservar a identidade dos envolvidos.

A sucessão de fatos

"Durante anos eu, minha namorada Amélia e meus amigos Josh e Willian procurávamos diversão, mesmo que isso nos assustasse. Éramos jovens, ricos e gostávamos do prazer da diversão. Ríamos de tudo. Até do perigo. Mas agora seria diferente. Simples filmes de terror não nos assustavam e queríamos mais.

Foi quando Willian, obcecado, descobriu no leste do nosso país (moramos na Alemanha, só pra constar) um castelo medieval mal assombrado à venda. Seria ótimo colocar nossos sentidos à prova novamente. Estávamos errados.

"Duvido você passar uma semana ali", disse-me Willian. Josh juntou-se à aposta. "Pois eu duvido você vir junto", retruquei, confiante. Amélia disse que iria comigo, e no fim fomos nós quatro.

Entramos no carro em que costumávamos fazer nossas viagens e atravessamos uma floresta escura. Enfim, chegamos e vimos as torres em tons de escarlate do castelo. Era pequeno, mas parecia ser assustador. Compramos o castelo a um preç incrivelmente baixo. O antigo dono, um senhor de cabelos brancos, nos abraçou um a um quando soube o que estávamos prestes a fazer. Então, ele gritou "estou livre, livre!". Estranhamos a reação, e ele desapareceu como que por um passe de mágica.

Entramos e vimos um mundo mágico. Quartos grandes, pratos de vidro, lustres incríveis, tapeçarias e seda, estátuas de armaduras... Era estranho saber que aquilo tudo havia sido vendido por apenas vinte mil dólares. O castelo parecia maior por dentro do que por fora. Um único detalhe me deixou curioso: nas paredes haviam quadros, vários deles, de uma família cabisbaixa e triste, com o pescoço e os membros desproporcionais ao corpo. Havia um tom forte de vermelho nas imagens, mas eu não soube dizer se representavam sangue. Não importava, afinal, aquilo não dava medo. Ou pelo menos eu achava que não dava.

Após alguns dias entediantes jogando damas e vasculhando tudo (o sinal de internet e telefone não estavam disponíveis), Josh levantou a questão do nome do castelo. Ele não havia sido batizado, o que era estranho. Resolvemos chamá-lo de Torre Vermelha por suas cores chamativas.

No quinto dia, acordei de madrugada com Amélia ao meu lado. Ela estava com a respiração acelerada e o coração palpitando. Perguntei o que era, e ela me disse com o rosto mais aterrorizado que eu já vira ela fazer: "John, escutei alguém arrastando correntes". "Besteira", eu respondi. "Ouça", ela disse. E então, para meu temor, passei a escutar passos arrastados e as correntes arranhando o carpete. Isso no corredor que dava para os três quartos em que estávamos.

Abri a porta furioso, pensando em se tratar de uma palhaçada do Willian, mas não vi nada, nem ninguém que estivesse fazendo aquilo. Voltei e resolvi dormir.

À meia-noite um galho de uma árvore perigosamente próxima chocou-se contra a janela, provocando um barulho alto o suficiente para me acordar e me assustar. Meus nervos estavam à flor da pele, eu havia aceito aquele desafio. Mas não ia desistir. Não agora.

"É só o vento lá fora", sussurrei para Amélia, embalando-a em meus braços como uma criança. Ela estava tremendo, e eu estava próximo de ter um ataque cardiáco. Foi quando ouvi batidas na porta.

"Estou morto", pensei, mas ouvi a voz irritante do Josh "Me deixa entrar, cara!". Eu abri, e ele me agarrou pelo colarinho, fechando a porta em seguida. Josh era muito mais forte do que eu, de forma que não pude resistir.

"Seu palhaço de merda, o que foi isso? O que bateu na janela?", ele estava furioso. "Foi só o vento", respondi. Ele me soltou e ficou se indagando mentalmente o que estava acontecendo. "Onde está o Willian?", ele disse. "Enrolado em uma de suas cobertas", eu respondi tranquilamente, pois sabia o quão meu amigo era medroso. "Ou nos pregando uma peça", disse Amélia. Ouvimos o arrastar de correntes de novo, e desta vez nós três saímos. Mas o barulho cessou e não havia ninguém arrastando corrente nenhuma. Andei até o quarto novamente e meu coração quase parou.

Os lençóis estavam dispostos de forma medonha, como se algo estivesse dentro deles. E parecia estar. Um corpo humano. Com correntes amarradas aos pulsos. Os lençóis que antes cobriam Amélia lentamente arrastaram-se na nossa direção. Nunca fomos confrontados com perigo real, pelo menos não daquela forma Fizemos o que sabíamos fazer melhor naquela situação: correr.

"Não pode estar acontecendo, não pode estar acontecendo!", gritava Josh. Continuamos correndo até cruzarmos com uma estátua de armadura de uma cavaleiro medieval. Sob os nossos olhos, a estátua levantou a pesada mão de aço e derrubou Josh, que ia à nossa frente. Estatelado no chão, podíamos ouvir seus gemidos de dor. Eu e Amélia por pouco não fomos acertados.

"Temos que sair daqui", gritei, furioso. E tínhamos mesmo. Corremos pela sala de estar até a maldita porta, mas o lustre se partiu em mil pedaços naquele momento. Caímos um para cada lado, escondidos debaixo de mesas, que, por sua vez, foram levantas e jogadas contra as paredes. Foi aí que tivemos que reparar nelas. Estavam jorrando algo vermelho. Jorrando sangue. E esse sangue parecia ter vida, entrava por dentro do tapete escarlate e fazia crescer um volume, que corria em direção a nós.

Desviamo-nos a tempo, e Josh foi capaz de fugir. Do tapete, emergiu uma criatura horrenda, parecida com uma versão decomposta do pai de família nos retratos. Ele apontou para nós, e tudo no que pensamos em fazer era correr. Correr.

"Temos que pegar o Will", gritou Amélia, e foi assim que eu me obriguei a voltar. Mas ele já estava correndo na nossa direção, no final de um longo corredor.

"PESSOAL!", mas uma porta se fechou entre o corredor e a sala de estar. Não víamos mais ele. Algo apagou a luz. Corremos sem saber para onde e eu me choque contra uma estante, derrubando vários livros da mesma. Quando as luzes reacenderam, eu me vi sozinho, com uma entrada à minha frente. Avancei e fui conduzido por uma íngreme escada até um porão.

Lá havia a história da família Salem, a família que havia morado naquele castelo. Estava tudo em um livro sujo e amarelado. O fantasma, ou o que quer que estivesse ali, não iria entrar naquele lugar, que estava intocado a séculos.

Wolf Salem era um pai dedicado, até se vir traído pela ex-esposa. Mesmo sendo pai de dois filhos, ele confinou a mulher, Mara Salem, em um quarto escuro e pequeno. Todos os dias, ele vinha alimentá-la, mas também violentá-la e arrancar um pedaço de seu corpo. Isso repetiu-se até que ela morresse e aquele quarto pútrido fosse fechado para sempre depois de limpo. Mas não, eu estava nele. Eu havia descoberto a passagem secreta. Eu havia descoberto a história do monstro. E talvez com isso, a chave para derrotá-lo.

Subi as escadas novamente, com uma atmosfera mortal me invadindo. Nos meus bolsos, dois pequenos selos retratando a imagem de Mara. Eu havia descoberto que seus filhos, não aguentando aquela situação (já adolescentes) haviam se suicidado, e Wolf tido o mesmo destino. Deus pareceu querer puni-lo com mais força e por isso ele agora era um fantasma, o fantasma da Torre Vermelha, agora que tínhamos dado um nome ao seu castelo horrendo.

Quando eu subi, vi algo que não queria ter visto. Amélia estava acorrentada em uma das paredes, com o fantasma envolto por lençóis açoitando-a com as correntes. Comecei a me desesperar.

"Pare, Wolf!". Ele parou, e virou-se. Foi aí que ele se conscientizou de que eu, acidentalmente, havia descoberto seu pequeno segredo. Ele avançou em minha direção, e quando estava perto o suficiente, agarrei seus lençóis brancos. Ele rasgou meu braço, mas eu puxei o tecido mesmo assim. Queria ver o rosto daquele assassino.

Mas o tempo havia consumido-o. Tal como os fantasmas das lendas, por baixo do pano havia apenas um esqueleto. Afastei-me rapidamente. E então percebi Josh ao fundo, tentando perceber alguma coisa. A dor em meu braço diminuiu até que nada mais restasse dela, foi aí que percebi que o dano causado pelo fantasma não existiu de fato, assim como o da estátua em Josh. E aí percebi que as marcas da Amélia desapareciam e ela estava livre das correntes.

"Você matou Mara e acha que pode nos torturar assim como fez com ela, Wolf. Mas não pode! Seus filhos não vão voltar. Vá embora. Não somos as almas que você quer", eu gritei. "Vá embora? Vá embora?", respondeu uma voz demoníaca. "Este é o meu lar". "É tudo uma ilusão!", gritou Amélia, sacando tudo. "Isso não existe!".

O forro do teto quebrou e Willian caiu no chão, meio machucado, meio assustado. Josh levantou-o. "Entradas secretas", murmurou Willian, e deu um grito aterrador ao ver o esqueleto erguendo o dedo ossudo na minha direção. Foi aí que me lembrei de algo que os dois filhos de John fizeram antes de se matar. Eles se deram as mãos e fecharam os olhos, dizendo para si mesmos que iriam a um lugar melhor.

"Fechem os olhos e deem as mãos!", gritei, e todos obedeceram apesar do avanço de Wolf. "Não é real", murmurei, e comecei a gritar mais alto, e mais alto e mais alto, cerrando as pálpebras o máximo que eu podia. Ouvíamos as correntes se arrastando, a voz falhada do fantasma, mas de repente, tudo acabou como num suspiro.

Abrimos os olhos e nos vimos em meio a um terreno vazio no coração da floresta escura. Eu dei um sorriso nervoso. Nosso carro estava ao nosso lado. "Conseguimos", Josh murmurou. "Não foi como das outras vezes... Foi real", eu disse. "Foi sobrenatural, mas não real. Era apenas uma ilusão. Wolf não tem poder para machucar-nos de verdade. Ele nos torturou, mas não conseguia ver nosso sangue escorrer na vida real. Talvez esse seja o seu derradeiro castigo. Castigar os outros em vão", disse Amélia.

"É, talvez seja mesmo. Mas foi demais para mim. Chega", disse Willian. Entramos no carro e rumamos para longe dali. E tentamos viver nossas vidas, embora soubéssemos que não iria dar. Estaríamos marcados para sempre. Para sempre.

Amélia tornou-se pesquisadora de castelos mal assombrados e descobriu o de Salem após muita procura. O castelo-sem-nome tinha sido derrubado na década de 60 por uma empresa, mas nenhum projeto havia sido realizado na região desde então. O que aumentava nossas suspeitas de tudo ter sido uma ilusão.

Mas alguns efeitos colaterais sempre existem. Josh, ao ver a imagem dos quadros dos Salem retratada em um museu, começou a alucinar e morreu devido a um infarto. Nunca me perdoeei por isso. Se eu não tivesse aceitado aquela maldita aposta... Mas achei que ele também foi culpado, coisa da cabeça dele. Quer dizer, achava, pois ontem à noite fui acordado com o barulho de um ribombar em uma das janelas de minha casa. Amélia começou a ouvir correntes arrastando...

Não era só o vento lá fora."

Entidade Sombria (discussão) 19h56min de 22 de novembro de 2014 (UTC)

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