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Quando você é criança, seus pais sempre te dizem que não tem nenhum perigo no escuro. Eles te dizem que não tem monstros no seu guarda-roupas ou debaixo de sua cama. Eles se esforçam em dizer que nada vai pular do escuro e te atacar, mesmo que você ainda esteja assustado.  Mesmo assim, eu checava cada coisa no quarto; procurando por qualquer perigo maior antes de dormir. Você mantém uma luz acesa, como um abajur, pra se sentir mais seguro, e que assustasse as demais “criaturas”. Isso te dá um pouco de segurança, mesmo assim o medo continua grudado em você...Eu parei de acreditar nisso pouco há tempo, é claro. Então, um dia eu acordei no meio da noite com a janela rangendo e aberta, (que me lembro de ter fechado antes de dormir), mas no momento não pensei muito e voltei a dormir.

Mas então aconteceu de novo.

Me sentei na cama quase gritando, mergulhado em suor. Na hora não soube o que me acordou, mas com o calafrio que sentira deveria ter sido um pesadelo. Por um momento pensei que tinha sorte de já morar sozinho.

Por que se não estivesse, teria acordado cada alma viva na casa. Me acomodei na cama de novo, já que estava muito escuro no quarto, e a fonte de luz era a minha janela. Espere, as cortinas não estavam fechadas? E aliás, a janela estava aberta? Denovo?

Foi então que eu me tremi todo. Certo, uma vez, dá pra entender. Mas duas vezes? Seguidas? E quanto a sensação de estar sendo observado? Não, não dá.

Como em um estalo, levanto da cama, procuro em cada esquina do quarto. Nada.

No próximo dia eu acordei exausto. Depois de me arrumar pra sair, fui logo na casa da minha vizinha, e perguntei ela tinha visto alguém entrar na minha casa ontem de noite. Ela me lançou um olhar confuso e disse:

- Não que eu saiba.

Então mais uma noite se passou. As mesmas coisas ocorreram, mas em maior velocidade.

Já manhã, acordei aliviado, - É só um sonho esquisito – Pensei.

No próximo dia, fui em uma farmácia e comprei um remédio desses que a vovó usa pra dormir. Deitei-me e pensei “Quero ver acontecer de novo agora”.

Dessa vez acordei calmo. Cortina estendida, janela aberta. No momento que desviei minha atenção pra janela, Senti uma mão tocar meu braço. Com um grito olhei rápido, revelando que a mão parecia mais uma pata – uma pata cinza. Então como um piscar de olhos fui arremessado em um buraco. Lembro que em meu quarto não há buracos.

Estou caindo, caindo.

Por que não paro de cair? É tão fundo que meu gritos não produzem eco.

Olho para cima, única direção que me parece segura. Então eu vejo olhos, vermelhos. Assustadores.

Você acorda, no meio da noite.

A janela está aberta.

A cortina está estendida.

- Akkain

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