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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

John, Mary e Albert,

Sei que deixei a história a meio de certo modo mas as lembranças ao escrever esta carta deram cabo de mim, a ansiedade aumentou e as imagens da minha cabeça que relembraram estes momentos foram-me atormentando e os médicos informaram-me que eu tive algo considerado como uma recaída.

Eles pensam a assim dizer que eu estou maluco mas eu sei que não e sei que vocês acreditam em mim, mas agora mais que nunca preciso de continuar a história, dar a conhecer o que aconteceu, ou pelo menos o que eu sei que aconteceu.

Mais do que nunca eu disse? Bem, é que nos últimos meses tem sido difícil para mim, a recaída, as cartas recebidas, a vossa não resposta, só queria que alguém me compreendesse e não me julgasse como a maioria das pessoas deste hospital fazem.

As cartas foram chegando dias depois de eu mandar a vocês a primeira carta. Sei que parece estranho, mas eu pensei de imediato que era a vossa resposta, mas verifiquei que não e por isso mesmo ainda fiquei mais incrédulo. Quem teria a coragem de escrever a um pobre maluco que foi acusado pelas polícias locais de matar os seus próprios irmãos? Pelo que consegui assimilar uma pessoa mais maluca ainda e detentora do título de verdadeiro assassino.

Mas não vou começar por aí, afinal deixei uma história a meio e nunca se deixa uma história a meio, pelo menos não uma história como esta. Sei que ninguém acredita num suposto assassino, mas era importante para mim vocês acreditarem.

Lembram-se? Lembram-se daquela pequena frase escrita no quadro? Ela foi a que mais me atormentou ao longo desta história, porque sabia perfeitamente que apenas eu e a minha irmã conseguiríamos desvendar “Jrypbzr Gb Tur Whatyr”.  Era a nossa escrita criptografada, nunca contamos a ninguém da sua existência, quanto mais de como a utilizar.

A frase parece ser altamente vulgar, mas eu sabia muito bem o que ela significava, eu e a minha irmã utilizávamo-la para muita coisa, era como uma frase secreta que entendia o nosso ser, “Welcome To The Jungle” traduzida como: Bem-vindos á selva.

Sei que é uma música muito vulgar naquela época, estávamos em plenos anos 90 mas como poderia alguém colocar na nossa linguagem, a nossa música, a nossa frase secreta.

 Não encontrava razões para aquilo, mas a verdade é que encaixava completamente no cenário da sala da escola primária, porque era aquilo que a frase representava uma selva de corpos ordenados de forma a causar transtorno a um pequeno adolescente que nem idade para pensar tinha quanto mais para assimilar o caos da morte em um lugar como aquele.

O transtorno desejado foi provocado em mim e de imediato, assim que li e descodifiquei a frase colocada e escrita no quadro caí no chão e perdi todos os meus sentidos, foi como uma descarga de energia que fez com que eu não tivesse mais forças para continuar.

Fui encontrado no sítio onde o meu corpo cedeu por um grupo de polícias, mas eu nunca os cheguei a ver visto que acordei numa cama de hospital, segurado por umas algemas como se de um criminoso me tratasse, coisa que agora compreendo perfeitamente.

A minha vontade ao acordar era voltar para aquele lugar sombrio, ver de volta os meus irmãos, abraça-los uma última vez, mas aquelas algemas não me deixavam conceder o meu desejo, e ali fiquei eu, gritando, tentando tirar de mim aquele pesadelo e lá no fundo eu sabia que não era possível mas a vontade move montanhas mas não neste caso.

Fui levado para interrogatório horas depois de alguns exames feitos e provas recolhidas no local. O polícia como é óbvio não acreditou numa palavra que eu disse, afinal quem acredita em alguém encontrado junto de 3 corpos, corpos estes pertencentes aos meus irmãos? Bem, acho que muitos acreditavam em mim, mas o ponto-chave deste não acreditar é devido a uma prova muito forte.

Na escola primária, todas as pessoas que tinha visto embalsamadas não se encontravam lá quando fui descoberto inconsciente apenas restavam os meus 3 irmãos e parecia como uma cena de crime tremenda. A prova forte que apontava contra mim não era por ser a única pessoa altamente suspeita, ou por ser a única pessoa que se encontrava viva junta deles, mas sim por ser a única pessoa que continha nas suas mãos uma faca com o sangue das vítimas e havia vestígio por todo o meu corpo água e formaldeído, utilizado para embalsamar.

Apesar de a minha tenra idade é notável que ninguém acreditava em mim e me via como um maluco que decidiu matar os irmãos num impulso. Mas existe uma prova que nunca ninguém conseguiu entender, quem teria ligado para a polícia para me encontrar na escola primária, isto continua mistério, ou pelo menos continuava até eu receber as cartas há uns meses atrás.

As cartas pelo que eu entendi pertencem ao verdadeiro assassino, era como pequenos bilhetes ao início, algo do género: “eu sei quem és, de onde vens e aquilo que os outros pensam que fizeste mas que na verdade não era possível teres feito”. As cartas continuavam cada vez mais detalhadas, começaram a surgir fotos, fotos da minha casa, eu com os meus três irmãos, fotos tiradas à distância por uma mente perturbada que nos seguia de noite e de dia, que nos seguiu naquela noite.

Eu não podia guardar as cartas, regras do hospital, era como se fosse privado da minha própria privacidade. Nunca ninguém as leria isso tenho a certeza, porque o código utilizado pela minha irmã e eu para comunicarmos, o código presente na frase do quadro, era também o código utilizado na escrita destas cartas.

Eu não sabia como reagir com as informações dadas nas cartas, eram informações que ninguém poderia saber a não ser que nos espiasse, morasse na mesma casa do que nós ou partilhasse o mesmo bairro do que nós. O terror voltou aos poucos e poucos e todas cartas acabavam com aquela pequena frase: “Jrypbzr Gb Tur Whatyr”.

Ninguém compreende a minha dor e tentam se desculpar por não ser um maluquinho num hospital psiquiátrico, mas deviam se desculpar por não saber como é ser abandonado por aqueles que mais amavam na vida. As Lágrimas correm pelo meu rosto ao relembrar que nem os meus pais me vieram visitar depois de descobrirem da tragédia, a raiva espalhasse pelo meu corpo e o cheiro presente naquela sala, naquela noite permaneceu na minha vida para sempre.

O bloqueio mental está a voltar, acho que não me vou conseguir controlar por muito mais tempo e penso que a hipótese de recaída está eminente, espero-vos escrever numa próxima vez, mas não prometo de forma alguma como certo, apenas quero que se lembrem da minha história e acreditem em mim.

Com saudades meus queridos irmãos

ALEX 

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