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CARTAS

Domingo, 25 de Maio de 2014

John, Mary e Albert,

Muitos pensam que esta história não pode ter ocorrido, muitos pensam que é tudo apenas um conto longe da realidade criada pela imaginação de um adolescente traumatizado pelos maus tratos recebidos na casa dos seus avós. A verdade é que ninguém acredita nesta narrativa, como se eu fosse apenas um maluco no manicómio, por mais maluco que seja tenho e sempre tive a minha sanidade mental bem assente na terra.

A minha infância nunca foi a mais indicada para uma criança da minha idade. Com os meus dez anos mudei para a casa onde continuaria a morar até à minha entrada nesta prisão.

Tudo começou poucos tempos depois que me mudei para o meu novo lar, era um lugar cheio de alegria e onde a vida espreitava a cada canto. Éramos 3 rapazes e apenas 1 rapariga e apesar de pais biológicos diferentes sempre nos consideraram irmãos.

Os nomes dos coadjuvantes desta história serão mantidas em total segredo até ao final da mesma, assim como o meu próprio, mas nunca ninguém por mais incrível que esta história seja queria saber o meu verdadeiro nome.

A verdade é que a “nossa” mãe sofria de um problema no colo uterino, o que não lhe permitiu ter filhos e então decidiu adoptar o maior número de crianças possíveis. As primeiras crianças que ela e o nosso pai adoptaram foram os gémeos, deveriam ter perto de 2 anos de idade o que lhes possibilitou criar laços mais fortes devido ao tempo em que já se encontravam reunidos.

Já a nossa irmã era a mais nova da família e sempre foi a pessoa com quem mais interagi uma vez que apresentávamos idades relativamente próximas. A nossa amizade sempre foi a melhor dentro da casa, nem os gêmeos conseguiam bater a nossa cumplicidade. Éramos demasiado unidos, tínhamos gestos secretos, segredos escondidos e até uma escrita criptografada.

A casa em que vivíamos era o número 23, ficava no final de uma rua com poucas casas, mas muitas delas ainda em construção. A casa pertencia a um nobre bairro no centro do país, onde antigamente se via crianças a correr pela estrada e os adultos no café a jogar cartas e longas partidas de damas e de xadrez.

Toda esta alegria e boa vizinhança veio-se a desvanecer quando à uns anos estranhos acontecimentos decorreram e os noticiários começaram a aparecer e a fazer perguntas pelo bairro.

As pessoas com quem costumava conviver foram levadas pelo medo e a angústia das memórias e foram desaparecendo aos poucos e poucos do bairro fazendo que este ficasse cada vez mais vazio e solitário.

O bairro nunca voltou a ser o mesmo, a escola primária fechou tornando-se próspera para vandalismo, o café passou a abrir apenas aos fins-de-semana e as casas em construção nunca mais foram concluídas.

Foi nos meus dezasseis anos que tudo passou de uma especulação para uma realidade, passei semanas a organizar junto com os meus irmãos a melhor festa de sempre, quer dizer iria ser a melhor festa de sempre.

Os meus pais sempre tiveram viagens de negócios, quer no estrangeiro quer em outras regiões do país e no fim-de-semana do meu aniversário nada mudaria e combinamos fazer a festa familiar quando eles voltassem, mas eu e os meus irmãos decidimos organizar uma festa particular para nós.

A verdade é que não era propriamente uma festa, mas sim uma escapatória pelo bairro sombrio onde vivíamos. Decidimos os quatro ir até à escola primária reviver todos os tempos de ensino vividos naquele sitio, apesar de eu nunca ter entrado naquele lugar sempre me despertou um interesse sobrenatural do fundo do meu ser.

Chegara o dia, e todo o meu corpo estava numa inteira compulsão de emoções, visto que mentir aos meus pais não era a acção mais correta do mundo, embora há meses que não se ouvia nada acerca dos casos passados no bairro e parecia tudo mais seguro, os nossos pais continuavam com o mesmo medo dos passados episódios.

A noite finalmente chegou, estava serena e calma, não se ouvia qualquer barulho mas redondezas, saímos por volta da 00:00h depois de um filme cheio de acção e a barriga cheia de pipocas e outros doces.

Saímos de casa e dirigimo-nos para a escola abandonada, era uma das únicas oportunidades para voltar ao sítio onde foi ensinado aos meus irmãos a ler e a escrever, a somar, subtrair e as contas de multiplicar e de dividir.

Quando chegamos deparamo-nos com uma entrada cheia de árvores caídas devido ao inverno passado onde os ventos e a chuva provocaram tal paisagem. Os vidros das janelas estavam partidos devido aos jovens vândalos que atiravam pedras de pequenas dimensões nas suas visitas nocturnas ao “Bairro do Terror”.

A nossa família era considerada como corajosas por permanecer naquele local depois do desaparecimento e rapto de algumas pessoas e crianças ao longo dos anos. Os jornalistas e policias foram chegando nesse tempo, criando especulações, noticias à volta do suposto raptor. Apesar de um meio pequeno nunca se descobriu o autor deste actos macabros.

A nossa visita iniciou ali, estávamos nós um bocado nervosos devido às lembranças que muito de nós tínhamos e como tudo parece ter mudado, tornando-se num lugar sinistro e impuro para qualquer aprendizagem de crianças com uma vida pela frente.

O medo estava nas nossas veias, ao entramos no primeiro andar tudo pareceu intensificar-se parecia demasiado tarde para voltar atrás já que ali nos encontrávamos a opção mais acertada era continuar com aquela adrenalina no nosso ser.

Os passos tornavam-se cada vez inseguros, a alma cada vez mais fraca e a pouca luz que tínhamos não iluminava completamente o local onde me encontrava com mais os meus 3 irmãos.

A coisa mais surreal aconteceu quando a pequena luz que tínhamos iluminou uma parte da parede, eu não queria acreditar no que os meus olhos viam, era sangue, sangue de algum tempo atrás , mas com certeza era sangue, preenchia a parede de uma forma artística, quer dizer uma forma macabra nunca antes vista. Parecia que todo o líquido vermelho de um pessoa se encontrava naquela parede.

Meus irmãos ficaram horrorizados, não conseguiam imaginar as coisas irreais que ali se passavam e foi naquele instante que verificamos que faltava uma pessoa, faltava a minha irmã, quer dizer a minha mais que tudo. Não podia estar a acontecer, tínhamos de permanecer ali à procura dela apesar de corrermos o risco de nunca mais sairmos de lá com vida.

Agora, depois de saber que não estávamos sozinhos o medo e adrenalina aprofundaram-se ainda mais e os passos ficaram assim cada vez mais cautelosos e hesitantes, continuamos pelo corredor fora, verificando nos cacifos coisas que uma mente da nossa idade não deveria ver.

Era sangue por todo o lado, bocados de alguém, quer dizer de um ex-alguém, as lágrimas escorriam pelo olhos de todos nós, era como involuntário e a inquietação tomou conta de nós, eu não conseguia mais andar, não conseguia perceber o que se passava na minha vida, o que se passava naquele instante, um instante este que parecia demorar anos.

Faltava mais alguns passos e encontrar-me-ia no início das escadas, mas nenhum de nós as queria subi, pois isto significa ir para um andar desconhecido, um andar onde coisas trágicas podem ter acontecido, onde coisas trágicas podem estar por acontecer.

As escadas pareciam nunca mais ter fim, parecia um labirinto sem solução era como pesadelo sem o momento de acordar, só queria sair dali e reencontrar a minha irmã. O corredor do segundo andar criava um arrepio em mim, era nele que se encontravam as salas onde os alunos tinham aulas antigamente, notavam-se pelos brinquedos espalhados pelo chão.

A segurança era cada vez menor e o desejo de não permanecer mais ali cada vez maior, mas continuei firme e dirige-me à primeira sala, encontrava-se regular, sem nada de estranho, por incrível que pareça este andar não se encontrava tenebroso como o anterior.

Permaneci naquele corredor, dirigindo-me junto com os meus irmãos a cada sala, tentando encontrar a minha pequena irmã. Nenhuma obtinha aquilo que eu procurava, parecia apenas uma escola abandonada, deixada apodrecer pelo tempo, mas o que no andar de baixo continha não nos deixava levar por esse pensamento.

Dirigi-me para a última sala, só faltava aquela para o nosso percurso ficar concluído e ter de voltar para onde viemos, para um sítio em que não queria mais reviver. Foi quando entrei que algo que percebi que aquela sala não era igual às outras, esta era o maior terror de sempre, maior do que tudo que passei naquela noite, foi o

Escuela-abandonada

momento mais irreal da minha vida e ao mesmo tempo aquele em que me sentia mais vivo devido à adrenalina dentro de mim.

Um arrepio percorreu o meu corpo de leste a oeste e sabem o que dizem, que quando nós nos arrepiamos é porque a morte passou perto, bem não era de admirar visto que na minha frente se encontravam corpos, não sei como descrever era como uma espécie de turma, todos sentados no seu lugar, todos quietos e o silêncio tomou conta daquele lugar até que a porta se fechou e por momentos o silêncio foi posto em causa.

Tentei depois de entrar na minha sanidade, quer dizer a possível dentro dos acontecimentos, abrir a porta que se tinha fechado à alguns segundos atrás. Mas foi aí que percebi que isto só podia ser um pesadelo porque agora me encontrava ali sozinho, os meus irmãos já não se encontravam lá e o meu corpo pela primeira vez depois desta noite começou a tremer.

O meu coração batia mais rápido do que a velocidade que a própria luz alcança e foi naquele momento que entendi que tinha de ganhar coragem e continuar a expedição pela sala.

As pessoas encontravam-se como embalsamadas, o cheiro era intenso na sala, acho que era normal dado às circunstâncias. Havia 3 filas de mesa horizontais e outras 4 verticais, era demasiado terror para uma só noite, mas nem eu tinha reparado que na fila de trás se encontravam 3 rostos que reconhecia perfeitamente.

Não posso mentir, os corpos que se encontravam naquela sala faziam todo o sentido, pertenciam às pessoas que tinham desaparecido do bairro ao longo dos anos. Será que era ali que eles tinham permanecido todo aquele tempo? O pavor na cara daquelas pessoas era visível a cada passo que dava pela sala e sabia que no final da mesma, nas últimas mesas, encontrava-se o pior pesadelo de todos.

Algo que parecia impossível no momento era eu conseguir permanecer aparentemente calmo mas eu sabia perfeitamente que aquilo era apenas uma ilusão de óptica. Nunca poderia estar calmo dados os eventos que estavam a ocorrer naquelas trevas.

Os passos pela sala faziam tremer tudo à minha volta, olhar para aquele aglomerar de corpos era como uma parte de mim a morrer a cada instante que passava. Foi aí que entendi, entendi quem eram os 3 rostos no final da sala, e acho que vocês também sabem quem são.

Demorou alguns momentos até eu conseguir chegar naquelas últimas mesas mas lá estavam eles como pequenos aprendizes numa sala onde apesar de cheia de gente eu era a única criatura viva no momento e a única reacção possível e imaginável foi dar um abraço àqueles que mais amava e que mais queria ao meu lado no momento, ao meu lado de verdade.

Só podia ser um pesadelo, quer dizer, como era possível estar a acontecer isto? Não dava para entender mas aí entendi quando finalmente olhei para o início da sala, onde supostamente um professor deveria estar a dar aulas e consegui ler no quadro a seguinte frase:

Jrypbzr Gb Tur Whatyr

E foi aí que percebi que alguém tinha desvendado o código secreto que utilizava para escrever à minha irmã.

2º parte ----»

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