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Aquilo já havia passado dos limites. Eu acordei suado e ofegando, sentia o meu corpo pesado, aquele ser não estava mais lá.

Levantei-me, ainda com receio de dar de cara com alguma coisa maligna, caminhei até o andar de baixo, tentando fazer o menor barulho possível, uma tábua da escada rangeu quando meu peso foi colocada sob ela, meu coração acelerou, fiquei ali parado por alguns minutos até notar que ninguém tinha ouvido.

A casa estava normal, como deveria estar, saí de casa e encontrei o assassino no jardim dele, provavelmente voltando do trabalho.

- Foi você! - Gritei. Meus olhos se encheram de lágrimas, ele se virou para mim e me encarou, com um olhar confuso.

- O que eu fiz?

- Você matou todas aquelas pessoas!

- Do que você tá falando, moleque?

- Eu vi no seu porão! Eu vi tudo aquilo que tinha no seu porão!

- Porão? - Ele me encarou, ele parecia cada vez mais confuso. - Minha casa não tem porão.

Ele entrou e me chamou com a mão, o segui para dentro da casa dele, sim, sei que parece idiota entrar na casa do cara que você acha que é um canibal, mas eu era apenas uma criança.

Entrei na casa e me espantei, não havia nenhuma porta aonde antes eu vi a entrada do porão.

- Viu? Eu disse que não tinha porão.

- Mas eu entrei lá... No meu sonho...

- Você invadiu a minha casa?!

- Eu imaginava que era você o assassino... Eu tive um sonho... Onde eu matei aquelas pessoas.

O rosto dele empalideceu,ele me olhou como se não acreditasse no que havia acabado de ouvir.

- Você... É você o hospedeiro!

- Hospedeiro?

- A criatura tá usando seu corpo para devorar as pessoas.

- Que criatura?

- Vá embora da minha casa! Agora!

Saí correndo de lá com mais perguntas do que respostas.

Voltei para minha casa à tempo do café, todos nós estávamos tristes, eu mais que todos, se eu era o hospedeiro, então eu tinha matado minha irmã, me enchi de culpa, que criatura cínica seria essa? Será que ele só estava bricando comigo ao deixar eu sonhar com a morte da minha irmã.

Os dias foram passando, todas as noites eu sonhava o mesmo sonho, eu matava pessoas e logo no dia seguinte elas apareciam no jornal, o caminhão da mudança acabou quebrando, por isso nós íamos passar mais uma semana naquela casa.

Meu sonho mais bizarro aconteceu no dia antes da mudança.

Eu estava caminhando por uma longa estrada, só sentia uma coisa dentro de mim.

Fome.

Continuei caminhando, até chegar na frente da casa do Seu Reginaldo, havia tochas em volta da cerca.

Tentei me aproximar de uma delas mas uma sensação terrível tomou conta do meu corpo quando cheguei perto do fogo.

Gritei, gritei tão alto quanto um porco no abate, e acabei me acordando.

Eu estava de volta à minha cama, mas os gritos não pararam, corri para a janela, e lá estava ele, Na frente da casa do Seu Reginaldo, a criatura tentava entrar com todas as suas forças, mas o fogo a impedia.

Reginaldo saiu de casa, ele parecia estar falando com a criatura, discutindo, eu não conseguia ouvir nada daquela distância.

A criatura virou a cabeça na minha direção e me encarou, senti naquele momento um medo que nunca senti na vida, a criatura estava sorrindo, não com dentes afiados, como antes, dessa vez pareciam dentes humanos.

E então eu desmaiei.

V.S.C

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