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Olá, meu nome é Valter. Escrevo aqui porque algo muito estranho aconteceu na minha casa. Bem, acho melhor começar pelo início. Eu moro numa pequena cidade do Rio Grande do Sul com meus pais, meu irmão de 16 anos e minha irmã de 13. Tudo começou quando um estranho vizinho se mudou para a casa ao lado da nossa, um tal de Reginaldo Silva. Com duas semanas morando lá, ele mandou instalar uma cerca enorme de ferro ao redor do jardim, daquelas pontiagudas. Eu não liguei muito para isso, na verdade eu nunca tinha visto o sujeito. Um dia eu estava jogando bola com meus amigos, Astolfo, João e José, e a maldita bola foi cair dentro do gramado do Seu Reginaldo.

- Caraca, Zé, chuta mais fraco da próxima vez! - João exclamou.

- Eu que não pego essa bola. - José se defendeu.

- Deixa de ser marica, Zé, o velho que mora aí não morde, não. - Astolfo caçoou.

- 'cês não sabem? O velho que mora aí é de macumba! - José disse.

Todos nos entreolhamos por um tempo. O clima pesado sumiu quando João começou a gargalhar. Todos rimos, menos Zé. Zé parecia estar distante. De repente ele empalideceu e foi embora sem dizer uma palavra. Ninguém foi pegar a bola. Mesmo que nós tenhamos rido, nenhum de nós tivemos coragem de ir pegar a bola.

Nós terminamos o jogo por ali, e todos fomos pra casa.

Logo que cheguei em casa fui direto pra cama. Estava sem fome. O jeito que Zé ficou tinha me embrulhado o estômago. Consegui dormir bem naquela noite, eu nunca tive dificuldades em dormir, mas um grito me acordou.

Fui direto para a janela e vi uma multidão amontoada ao redor da casa de Zé. "Mersa, o que será que aconteceu?" Me indaguei. Saí de casa ainda de pijama e fui correndo para a casa de José. Astolfo e João também estavam lá. A polícia logo chegou, e mandou todos irmos para as nossas casas. Foi só na semana seguinte que eu fui descobrir o que houve. A mãe de Zé foi chamar ele, e encontrou uma pilha de ossos em cima da cama. A única coisa intacta era a sua cabeça, mas que tinha várias mordidas ao seu redor.

Depois do almoço eu fui ligar para João.

- Alô? - Ele perguntou.

- João, eu tenho certeza que a morte do Zé tem a ver com aquele cara que se mudou pr'aqui recentemente não tem como não a ver, eu tenho certeza que foi ele! - Eu falei tudo tão rápido João não conseguiu me entender.

- Calma, Valter, fala mais devagar.

- O cara que se mudou pra casa ao lado da minha.

- O que tem ele?

- Ele matou o Zé!

- Val, eu acho que você tá enlouquecendo. Você não pode acusar ninguém assim. E além do mais, a polícia já começou a investigar, logo logo eles capturam o assassino.

- Não! Eu tenho certeza que foi ele! Eu você e o Astolfo precisamos ir atrás dele.

Passei mais alguns minutos discutindo com João até ele aceitar ir comigo. Depois ligamos para o Astolfo e ele topou.

Nós nos encontramos na frente da casa. Demoramos um tempo para pular a cerca. Ela tinha pontas na parte de cima, por isso Astolfo acabou se cortando.

Não havia flores ou grama. A bola que caíra ali há algumas semanas também tinha sumido. Ea terra era tão cinza que parecia ser cimento. Me dirigi à porta mas João me interrompeu.

- Val, pára, seu doente! Isso é invasão de propriedade.

Mandei ele calar a boca com um gesto e ele se calou.

A porta já estava aberta. Nós três entramos.

A casa também não tinha muitas coisas. A sala era totalmente branca. Tinha um sofá e uma televisão. Além disso, mais nada. A cozinha também era horrível. Só havia uma geladeira e um fogão.

O que me chamou a atenção foi uma porta entreaberta de aço. Nós três nos dirigimos para lá.

A porta dava para uma escada. Desci na frente, pois todos estavam com medo. Era tudo escuro e eu não conseguia ver quase nada. Um frio estranho percorreu o meu corpo inteiro, era quase como um aviso para eu ir embora.

A escada demorou para acabar. Lá embaixo era ainda mais escuro. Comecei a apalpar a parede e achei uma tomada. Eu queria não ter acendido a luz. O que eu vi ali me tira o sono até hoje.

Órgãos espalhados pelo chão: corações, estômagos, rins. Até partes humanas como braços e pernas. O pior eram as fotos coladas na parede.

Fotos do Zé, do João, do Astolfo e fotos MINHAS. O pior: fotos da minha irmã. Eram as que mais tinham. Aparentemente o cara que morava ali já nos espiava há muito tempo. Tinham fotos de eu e meus amigos brincando na rua, na escola e até em casa. Mas a da minha irmã eram as piores. Praticamente aquilo era um mural para ela, e nós eramos apenas o bônus. Chegava ao ponto de ele ter fotografado ela no banho!

Saí correndo dali, e meus amigos me seguiram. Nós estávamos apavorados demais para continuar naquele lugar.

Fui direto para a minha casa. Abri a porta e entrei correndo na direção da cozinha. Minha mãe me recebeu.

- Adivinha quem veio para o jantar?

Sentando em uma das cadeiras estava Reginaldo Silva, sorrindo como se acabasse de fazer um crime perfeito. Sentada ao lado dele estava minha irmã, sem saber de nada.

V.S.C

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