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Todos tem pena daquele triste palhaço do circo francês, seu nome nem sequer é lembrado por nós. Sua maquiagem é mal feita, o pó de arroz está mal distribuído em seu rosto redondo, sem falar daquela cobertura vermelha por cima dos lábios, mesmo na intenção de fazer um sorriso, apenas formava um semblante triste

O nariz redondo está esbagaçado, devido ao intenso desgaste físico de sua profissão. Tudo bem, o show começaria, ele ajeitou as mangas bufantes de sua camisa colorida, no corredor que levava ao picadeiro,  já o esperavam, vários jovens, em cada lado, fazendo um corredor polonês.

O palhaço se apressou, tentando evitar aqueles hematomas, e conseguiu socos que lhe deformavam as bochechas duras e chutes na região do estômago. Se pudesse, retribuiria, numa força maior, porém temendo perder o seu precioso emprego, ele ignorou de cabeça baixa, enquanto zombavam de sua miséria.

Ninguém o queria ali por ser engraçado, eles apenas riam daquele palhaço patético.

Os holofotes do circo correram em direção ao centro, enquanto a platéia euforicamente gritava, o palhaço de curtos cabelos azuis e saltados, espero em meio a escuridão, a iniciação daquele macabro espetáculo. O apresentador, pequeno, bigodudo e de cartola enorme veio, deu vivas, agradeceu, com aquele linguajar belicoso que atiçava os animais.

A trupe de palhaços tinha enfim chegado, e o palhaço azul de soslaio observava tudo. Ao fim fora arrastado contra a sua vontade, para o meio do picadeiro.

- Senhoras e senhores, quero que prestem atenção no meu nome espetáculo! - Gritou o apresentador - Vamos brincar de Guilherme tell! - Ele grunhiu, apontando para o seleto grupo de palhaços, o de cabeleira azul ficou curioso e ao mesmo tempo preocupado.

O palhaço maior ao seu lado, segurou pelos pulsos e o deixou isolado dos outros, fez o sinal de não deixar a posição e o homem atendeu.

- Bem minha amada platéia, como não temos arco e flecha, teremos que usar um lança confete! 

A platéia pareceu desapontada, já o palhaço ficou feliz em saber que não precisava se machucaria nesse show, a única da trupe que era uma mulher, se aproximou e colocou no topo da cabeça dele, uma maçã, parecia muito nervosa com aquilo. Depois se afastou.

- Agora vejam, o incrível espetáculo! - Ele pegou o lança confete e entregou pro palhaço maior, ele se negou a tocar naquilo, a mesma coisa foi com aquela mulher, o apresentador estava um pouco impaciente - Pelo visto, teremos mais algodão doce por aqui... Infelizmente o show não pode ser realizado.


O palhaço azul não havia entendido absolutamente nada, principalmente o porquê daqueles dois se negarem a jogar confete nele, de noite, foi até a tenda do palhaço maior, cujo o nome era Robert, o palhaço tentava dormir, seu corpo estava completamente suado e ele parecia mal. Mas aquele palhaço de cabeleira azul apenas o cutucou, Robert se virou para ele.

- O quê foi? - interrogou arfando;

- Queria saber por que você não jogou confete em mim, só isso.

Robert ficou quieto, parecia muito tenso. Ele então inclinou-se em direção á orelha de seu amigo, e num tom baixo ditou aquela triste verdade.

- Porque você morreria.

- Como assim? Não era confete?

- Não, era um pote com um gás inflamável, no show, iríamos ter ascender um isqueiro na frente, fazendo o gás pegar fogo, diríamos que a intenção era queimar a maçã, pois você iria ficar completamente carbonizado.

- Por que ele queria isso?

- Porque aquela platéia estava implorando isso!


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O palhaço saiu da tenda, andou um pouco, até vir a barraca de gostosuras, aqueles doces pareciam chamá-lo, porém, como eles eram contados todo o dia, dariam por falta daquela barra e diminuiriam seu pequeno prato de ração. Ao se virar, observou horrorizado, a cabeça daquela palhaça estava afundada dentro da máquina de algodão doce, seu cabelo castanho claro estava densamente misturado com aquele doce róseo, enquanto uma enorme quantia de sangue caia do recipiente.

Ele sentiu muito nojo, nojo o suficiente para nem chegar perto.

Foi se encontrar com Robert, porém ele já não estava lá. Não dizendo de lugar, mas sua vida se extinguira, o topo de sua cabeça fora esmagado com um enorme martelo estilizado, e em seu pescoço havia um enorme punhal que atravessava sua garganta.

O palhaço de cabelo azul engoliu o seco, tocou na sua garganta, sentindo agoniado, aquilo foi muito rápido, talvez, alguém apareceu ali e fez o trabalho sujo, tentando lhe incriminar ou punir aqueles dois, ah! O apresentador!

O tristonho palhaço retirou o punhal do pescoço do falecido e resolveu tomar as cabiveis retaliações, o apresentador estava em seu quarto, calmo, nem percebeu que o palhaço estava lá, lhe observando com a feição tristonha. O apresentador bebia vinho tinto.

- Ah você está aí, seu inútil, gostou de meus presentes?

O homem riu, jogando aquele bebida no chão.

- Por que fez isso?

- Ora, gosto de pessoas competentes! E que tal você fazer um novo espetáculo! - Ele revirou o bolso, revelando aquela lata de spray - Você vai adorar esse show tórrido!

A distância entre eles eram exatos um metro, não daria tempo do palhaço cravar o punhal no algoz, sem ser incinerado, lentamente começou a dar passos pra trás, enquanto o homenzinho dava passos pra frente, o azulado temia pela vida, enquanto desesperadamente tentava fugir.

- Agora morra! - Gritou, apertando o spray, o gás saiu e ele ascendeu o esqueiro, o fogo se espalhou no ar em direção ao palhaço e tudo que o mesmo fez foi ficar lá, parado, suas pernas travaram devido ao medo, seu corpo foi envolvido pelas violentas chamas, suas roupas propagavam a movimentação delas e furioso, debatia-se no chão, tendo sua pele tostada, o apresentador apenas via maravilhado.

Mas algo havia mudado, em meio aquela dor, um sorriso ergueu naquela carne queimada, que agora passava para um negro apodrecido, calmamente se levantou, como se fosse um espetáculo do qual estava apresentando, as chamas ainda agiam, enquanto sentia uma camada de sangue mexer dentro de si, era algo muito bonito. Ele ergueu os braços e começou a dançar, sua ultima dança e lentamente chamava a atenção de seu algoz.

- Veja! Veja me dançar, meu senhor! Ha Ha! Eu divirto você agora? - Ele urrou, estava escarniando, chorando e gritando de dor, enquanto apertava o delicado cabo do punhal que rapidamente fundia com sua carne. - Veja, mestre irei fazer nosso circo brilhar!

Ele tocou a fina lona, e como o material dele propagava o fogo, rapidamente se consumiu, fumaça e cinzas se formavam, enquanto o palhaço dançava e ria, numa apresentação hedionda de sua própria cabeça perturbada. O apresentador não entendia mas aquilo, viu o seu estimado circo pegar fogo. E aquilo que sobrara do palhaço, um corpo corrompido e louco foi em sua direção, com a mão livre, apertou aquela blusa fina. Exibindo pela ultima vez aquele sorriso.

- Vamos apresentar esse espetáculo no inferno! - Gritou, deixando aquela lâmina próxima do apresentador...

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Dois corpos foram encontrados no que sobrou do circo, completamente carbonizados, enquanto o menor, podia-se notar marcas de faca na região do pescoço, o maior teve o rosto completamente desfigurado, os olhos já não existiam e o nariz oculto, a única coisa perceptível, era um largo sorriso.

Muitas pessoas relataram ter visto um vulto passar no local do incêndio e estranhamente dançava.

( oc criada por CherryBell, título inspirado de um poema de Cruz e Sousa de mesmo nome)

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