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11:11min.

Você cansou disso, cansou de chegar em casa e se deparar com aquela cena rotineira.

Cansou de dar meia volta e ir pra casa de seu único amigo.

Não quer mais que os pais dele tenham pena de você.

Não quer mais ser alvo da pena de ninguém.

Você está triste; com raiva; desanimado.

Mas você vai fazer isso.

Você está triste e quer chorar, a tristeza acaba por te deixar desanimado e então você sente a raiva, como um tipo de droga ela vem te levantando.

E já são 11h11min

Está tarde, você disse que voltaria pra casa; disse que não queria ter problemas.

Claro que não queria problemas, você não estava afim de perder a reprise da sua série preferida.

Então você foi correndo, quase foi atropelado, mas não parou de correr, e quando chegou atravessando todas aquelas ruas escuras estava ofegante, elétrico.

Você não tomou seus remédios. É, hoje não.

Hoje era o dia.

o dia que você planejou, você acabaria com o que te deixava doente,com o que fez sua mãe ir embora, com quem te fez ir ao hospital tantas vezes.

então você abriu a porta dos fundos, não era surpresa estar destrancada.

você caminhou lentamente pelo escuro, você estava na direção do seu quarto, quando escutou o rádio ligado. ele sempre ficava com aquele maldito rádio ligado quando estava na banheira.

e mais uma vez, aquela raiva que te mudava veio, mas ela não podia vir porque você não usaria ela agora. então você se acalmou, você pensou no que te fazia feliz e em como precisava manter a calma. então você entrou no quarto e olhou para o relógio na mesinha.

11h27min.

ainda lhe restava tempo.

você pegou a barra de ferro debaixo da sua cama e sorriu.

hoje tudo seria resolvido.

então o rádio parou.

e você sabia que era agora.

você saiu do quarto e desceu as escadas que lhe levavam à sala.

você sentou no sofá e esperou.

11h35min

E você escutou aquela voz, enquanto ele descia as escadas.

“Ah, o drogadinho voltou” Você apenas o olhava com um sorriso.

Ele pensou que seria como todas as vezes em que estava em casa, pois bem, ele apenas pensou.

Porque agora você estava de pé e você o gritou. você mandou que ele calasse aquela boca de merda.

Você já o havia gritado, mas daquela vez era diferente, você não ia apanhar, não ia parar no hospital e não ia pensar em se matar ou em alguma merda depressiva.

Você enfrentaria. Porque você podia, porque ele disse. Ele disse que você podia tudo.Então quando ele já vinha para cima de você, pensando em fazer o mesmo de sempre você o atingiu na perna esquerda com o ferro e sim, você pode escutar aquele barulho estridente de osso quebrando, do mesmo jeito de quando ele quebrou seu braço aos 13 anos, mas agora você não sentia dor, você apenas sorria o vendo gemer de dor, então você o atingiu novamente, mal prestou atenção onde, logo em seguida você ligou o som, você precisava de uma trilha sonora para aquilo.

Ele ainda estava no chão, ajoelhado e gemendo de dor;

E você achava aquilo pouco.

Num movimento rápido quebrou o abajur da sala, que ficava ao lado do sofá, numa mesinha.

Você também lembra daquele dia, aqueles abusos, a dor, o sangue e a humilhação.

Foi  no dia em que ele ganhou um abajur nas apostas.

E o ódio veio,e você queria descontar nele, tudo aquilo. mas era muita coisa, e você não tinha paciência.

Enquanto ele relutava para tentar levantar se apoiando em qualquer coisa que visse, você o fez gritar novamente quando fez a barra de ferro encontrar aquele braço flácido.

Você o deixou lá um momento, depois de aumentar o som, você saiu quebrando tudo, aquela sensação lhe excitava, você estava alto.

O lustre da sala de jantar foi destruído, quadros também,  estantes , o notebook dele e qualquer coisa que você visse, você não ligava para nada.

Então quando você voltou para sala ele já não estava lá.

Você apenas riu

Quem era ele para brincar com o perigo?

O ódio era seu prazer.

Você escutou um barulho vindo da sala de jantar, lá estava ele.

A porta da frente estava trancada, por isso ele não foi pelo caminho menos trabalhoso.

E você correu e o puxou pelos cabelos, você perguntou se ele realmente achava que conseguiria fugir e ele chorava, e a cada soluço daquela criatura desprezível você ria.

Covarde.

Então você o jogou no chão e atingiu sua face, não com tanta força quanto queria mas gostou do estrago.


Você enxergava seu desespero, mas você não ligava, ele já fodeu tanto a sua vida. que ele não merecia compaixão ou perdão algum.

Ele lhe dava nojo, você tinha calafrios de nojo, de repulsa de agonia.


Você pegou o álcool que havia no armário da sala de jantar, essa que não era usada desde que sua mãe havia ido embora, você não a culpava, ela tinha seus motivos.

Então você começou, mesmo não sabendo como fazer aquilo direito, então você pensou que aquilo não era algo para se fazer e deixou para lá.

Você primeiro para deixar ele menos inquieto, bateu forte com o ferro em sua boca, ele cuspiu sangue.

E você derramou aquele galão de álcool por todo seu corpo imundo.

E depois foi na casa, em grandes quantidades, quando acabou você foi atrás para ver se havia mais, e tinha, mas era muito pouco, não daria para colocar nos quartos, mas tudo bem.

Você pegou os fósforos e acendeu um, primeiro no tapete da sala de jantar onde ele estava, depois de atingir a barriga dele com o ferro e o fazer cuspir mais sangue, você o chutou para perto do tapete em chamas. Ele já não conseguia mais levantar-se, então você foi jogando os fósforos nos locais onde jogara o álcool anteriormente, e tudo pegava fogo, as chamas estavam se espalhando, você rapidamente abriu a porta com a chave que havia pegado e antes de sair colocou o som no último volume, iria acordar a vizinhança.

Mas você não ligava.

Você estava muito imerso naquele impulso, alta excitação, chamas, o som no último, aquela música...  come as you are.

Você então caminhou, já não sabia mais que horas eram, com certeza seu programa já teria começado, você esqueceu.

O prazer de destruir te fez esquecer, sua mente estava perturbada, parece que haviam se passado horas, bem, de qualquer forma você comprou um baseado e foi seguindo o caminho para a casa de seu amigo, talvez ainda desse tempo de assistir junto a ele.

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